
Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista
Estamos terminando a segunda semana da Quaresma, e minha pergunta é como você amado leitor está passando por esse momento? Ele tem sido de reflexão e mudança nas atitudes? As vezes achamos que o que falamos são apenas palavras que não levam importância ou podemos dizer sentimentos? Muitas pessoas passam pela vida acreditando que apesar de frequentarem uma igreja estão realmente no amor de Cristo, mas suas maneiras não inspiram nem tornam outras felizes. Jesus um dia estava em Jerusalém e respondendo a uma pergunta feita pelos fariseus que perguntaram por que seus discípulos não agiam de acordo com a Lei, ouviram com certeza uma lição que gostaram muito. Vamos ver esse procedimento em dona Amália.
Num vilarejo simples, encravado entre montanhas e vales verdejantes, vivia dona Amália, uma senhora conhecida por suas palavras doces, mas também pelo jeito espontâneo de falar. Bastava um encontro casual na feira para escutar uma história engraçada ou uma lição de vida. No entanto, havia outro lado de sua fama: suas palavras, por vezes, cortavam mais que navalha.
Certo dia, enquanto dona Amália conversava animadamente com o senhor Joaquim, um vendedor de laranjas que sempre tinha algo a reclamar, a pequena Ana, sua neta curiosa de apenas dez anos, observava em silêncio. Depois de ouvir mais um comentário afiado da avó sobre a qualidade das laranjas, Ana, intrigada, resolveu perguntar:
— Vó, por que a senhora fala essas coisas tão bravas às vezes? Não dói nos outros?
Dona Amália, surpresa com a pergunta, apenas sorriu e respondeu:
— Ah, minha pequena, palavras são só palavras. Quem se ofende é porque quer.
Ana, com sua inocência, não estava convencida. Passaram-se alguns dias até que o Pastor Elias, da igrejinha local, anunciou um estudo na praça sobre uma passagem do evangelho. Curiosa, Ana puxou dona Amália pela mão e insistiu que fossem ouvir.
Naquele entardecer, sob a sombra de uma grande árvore, o Pastor começou a explicar Mateus 15.10-11: "Chamando a multidão para junto de si, Jesus disse: 'Ouçam e entendam. O que entra pela boca não torna o homem impuro, mas o que sai de sua boca, isto o torna impuro.'"
Enquanto o Pastor falava, uma inquietação tomou conta de dona Amália. As palavras do evangelho ecoavam em sua mente como um sino distante, mas persistente. Seria possível que ela estivesse colocando para fora algo que não era puro?
Naquela noite, deitada em sua cama, dona Amália refletiu. Recordou-se das conversas na feira, das brincadeiras que talvez tivessem machucado alguém, e das risadas que deram lugar a olhares ofendidos. Mesmo que falasse sem intenção, era isso o que ela queria espalhar?
No dia seguinte, dona Amália tomou uma decisão. Ao chegar na feira, encontrou o senhor Joaquim e, antes de qualquer coisa, sorriu calorosamente e elogiou as laranjas do dia. Joaquim, surpreso, também sorriu.
O impacto dessa pequena mudança não passou despercebido. As palavras de dona Amália, agora mais pensadas e carregadas de gentileza, começaram a transformar o ambiente ao seu redor. Onde antes havia rispidez, surgiu empatia; onde havia distâncias, construíram-se pontes.
Ana, ao ver as mudanças na avó, correu para abraçá-la e disse:
— Vó, agora entendi o que o Pastor quis dizer! As palavras têm poder, não é?
Dona Amália, com os olhos marejados, respondeu:
— Sim, minha pequena. Mais poder do que eu imaginava. O que sai da nossa boca deve trazer vida, e não feridas.
E assim, naquele vilarejo escondido entre montanhas, a lição de Mateus 15.10-11 ganhou vida através das atitudes de dona Amália, mostrando que as palavras, quando usadas com amor, podem ser sementes de transformação. Veja suas atitudes e palavras e aproveite o momento de reflexão para mudar o rumo de sua vida. Shalom.