segunda-feira, 20 de maio de 2024
CRÔNICA

Um grande tesouro que devemos compartilhar

19/11/2023
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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista

Durante uma parte de minha vida fui um homem religioso, frequentei na infância por condução de minha mãe, as sociedades da Igreja Católica. O interessante nessa época é que minha mãe me deixava na porta da igreja e voltava para casa, não frequentava, mas me levava e dizia que era importante que eu tivesse uma formação religiosa. Essa frase “formação religiosa” durante muitos anos me acompanhou, e eu a repetia aos amigos como um mantra de extrema importância.
Quando cheguei a juventude essa frase deixou de fazer parte de minha vida, e eu simplesmente abandonei toda frequência religiosa, ou em outras palavras, toda frequência de ida a Igreja para missas, na minha época a missa era em latim, idioma que por circunstância de estudo eu sabia falar. Acreditava sinceramente que minha “formação religiosa” havia chegado ao fim como qualquer curso que se faz, e fui com meus amigos aproveitar a vida que se descortinava a minha frente. Passei longos anos afastados de Deus, pois minha formação havia sido concluída e não tinha mais necessidade de frequência.
Esse meu afastamento foi até quando conheci uma jovem que estudava na mesma escola que eu, e tinha uma postura e uma conversa diferente das demais moças da escola. Seu comportamento era natural sem afetação, mas sóbrio, e essa atitude me chamou a atenção, e passei a conversar com ela nos momentos de intervalo de aulas, até que um dia em nossas conversas ela me disse uma frase que caiu como uma bomba em minha vida que dizia: “fiel é esta palavra: se morremos com ele, também viveremos com ele; se perseverarmos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele por sua vez, nos negará”, e está contida na Segunda carta a Timóteo, capitulo 2, versículos 11,12.
Eu quis saber mais, e contei a ela minha “formação religiosa”, o que ela ouviu atentamente e não me questionou, mas simplesmente me perguntou: “e o que sua “formação religiosa” fez de prático em e para você que faz com que use frequentemente? Naquela noite, não sai com os amigos, mas fui para casa com a cabeça ardendo pela pergunta, eu sinceramente cassei em todas as coisas de minha vida, e não consegui encontrar nada de tivesse colocado em prática e fosse realmente bom para mim. E eu vi que toda minha vida até aquele momento tinha sido de contestar as verdades ensinadas e muitas vezes ter afirmado que “papel aceita tudo”, e as histórias bíblicas não poderiam relatar uma verdade, mas eram lendas muito bem-criadas para confundir a mente das pessoas. Eu havia acabado de ler “O manifesto Comunista de Marx e Engels”, e estava lendo “Teoria da religião: Seguida de Esquema de uma história das religiões” de Georges Bataille.
Se o primeiro já havia confundido todo meu conhecimento religioso ao pregar que o materialismo era a melhor saída para os povos, agora o segundo vem afirmar que O cristianismo – a religião moral, humanizada, capitalista, a “religião nos limites da razão” – é remetido a um plano etnográfico, que tem na vida animal, no que Bataille chama de intimidade ou imanência, o seu grau zero ou a sua ontologia. É nas “sociedades primitivas” que Bataille encontra o sagrado, que o surgimento do mundo do trabalho virá interromper, introduzindo uma separação no interior da intimidade animal. Esta, só vislumbrada de novo na operação suntuária onde membros de um grupo insistem em uma troca violenta de presentes, e no sacrifício – do animal, do homem, do Deus.
Comecei a tentar argumentar o que ela falava, mas quanto mais eu tentava, usando uma palavra muito em voga hoje em dia: “lacrar”, mas ela com simplicidade explicava as teorias divinas e que somente pela Graça divina poderíamos ter sucesso na vida, e aí ela falou a próxima bomba no meu “conhecimento”: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo”, que está escrito na primeira carta aos Coríntios capítulo 15, versículo 57. Eu percebi que toda minha teoria religiosa não era o bastante para enfrentar que tinha conhecimento prático da vivência cristã, que não tinha formação religiosa, suas palavras mesmo após quase 60 anos depois ainda ecoam em minha mente. “confiar em Deus é uma coisa; fidelidade a ela é outra. Até mesmo o rei Davi, “homem segundo o coração de Deus”, cometeu pecados graves. Mas, quando ele finalmente decidiu confessar seus pecados e se arrepender, Deus lhe deu força para salvar seu reino e a si mesmo de todos os adversários. Davi contemplou a fidelidade de Deus e, por isso, escolheu voltar para ele e viver fielmente.
Então é esse tesouro que hoje compartilho com você, pois ele mudou minha vida, deixei de ser “religioso formado”, para ser cristão praticante e saber que através d’Ele minha vida foi substancialmente mudada para melhor. Shalom.