quarta-feira, 22 de maio de 2024
CRÔNICA

Cristãos como cartas vivas

06/08/2022
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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista

Eu sei que muitos dos que lerem este pequeno opúsculo, certamente não se recordam do tempo em que enviar cartas manuscritas era o evento maior. Escrever uma carta contando as novidades acontecidas, de amor ou comunicando um grave acontecimento, era o que hoje chamamos de mensagem, ou de WhatsApp.
Trazendo então para os nossos dias e vocabulário, podemos dizer que o apóstolo Paulo nos manda uma mensagem quando escreve sua Segunda carta aos Coríntios no capítulo 3, versículos 2 e 3: “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.”
Todo crente em Cristo deveria ser um folheto claramente escrito e legível, circulando para a glória de Deus. Talvez não queiramos ler as evidências em favor do cristianismo contidas em tratados eruditos, mas estamos ávidos para ler-nos, pois é isso que fazemos o tempo todo nas redes sociais. Então para que possam ler nossas vidas precisamos ser capacitados por Deus para não sermos desaprovados em seu minucioso exame.
O apóstolo Paulo então passa do conceito das tábuas de carne do coração, onde Deus escreve seu novo nome, para o da lei escrita nas antigas tábuas de pedra dadas lá no monte à Moisés, ele argumenta que, se a glória que brilhou no rosto de Moisés era tão bela, certamente a do evangelho deve ser transcendentalmente maravilhosa, porque uma é transitória e a outra permanente e uma é refletida e a outra direta.
Não apenas Moisés estava com o rosto velado, mas o coração dos judeus estava encoberto com uma grossa camada de preconceito. Eles não compreendiam a significação íntima do que havia acontecido. Eles haviam sido escravos por 400 anos, obedecendo às leis do Egito e de seus deuses, agora no deserto partindo para a formação de uma Nação, eles estavam tendo uma nova orientação, as leis estavam mudando. Agora não era um homem, faraó, que mandava e ditava as leis, mas o próprio Deus os guiava, orientava e lhes dava as novas leis que seriam o fundamento da nova Pátria. Então a grande dificuldade deles era que a lei era lida, eles a ouviam sem discernir espiritualmente. Hoje infelizmente ainda isto acontece, quando uma pessoa recebe a Cristo como seu Senhor e Salvador, ele precisa aprender o sentido íntimo das Escrituras, saber que a liberdade que gozamos vem direto do Senhor, para o amar, servir, conhecer a Deus e buscarmos sua face.
E Paulo ao escrever este texto ele se lembra do tempo em que pediu carta de apresentação para as Sinagogas de Damasco, para levar preso todos aqueles que pertencessem a seita do Caminho, como era chamado o Cristianismo naquela época. Mas agora diferentemente Paulo diz que não havia necessidade de carta pois ele era a própria carta escrita, agora diferentemente.
Também para não se parecer como Conselho dos Apresentados que havia em Corinto, e também se diferenciar de alguns que se gloriavam na aparência. Paulo queria dar aos seus convertidos um ensejo verdadeiro para se gloriarem dele, e que o fizessem verdadeiramente no coração, isto é, na realidade do íntimo, pois naquela época todos consideravam um homem desiquilibrado quando devotava sua vida a um homem que havia morrido recentemente se considerando Deus.
Pois o Cristianismo era ainda uma nova religião para que tivesse homens considerados cultos, e ainda por cima devotados ao trabalho de expansão daquele Deus desconhecido.
Paulo então chama a todos e se mostra como a verdadeira carta, personalizada por sua palavra, sua conduta, como também permanente, pois ela estava escrita nos corações o que era uma novidade naqueles tempos.
E hoje como nos portamos? Podemos ser cartas abertas pois servimos a Cristo verdadeiramente. Nossa vida reflete o amor, e postura, e somos exemplos de verdade? Creio que seria bom se começássemos a pensar em como estamos servindo ao Senhor. Shalom.