terça, 24 de maio de 2022
CRÔNICA

Início do ministério de Jesus sobre a terra

22/01/2022
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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista

Passados os primeiros tempos, ou seja, desde o nascimento até este momento, são decorridos 30 anos na vida de Jesus. Seu pai terreno José já havia falecido, e Jesus como primogênito de Maria e José, tomou o lugar de seu pai até completar a idade de 30 anos, quando então estaria desincumbido de cuidar da família, passando então para o segundo irmão essa incumbência.
Jesus teve residência física durante a sua adolescência e juventude conforme o versículo 16 do capítulo 4 do evangelho de Lucas: “Jesus foi para Nazaré, onde havia sido criado. Num sábado entrou na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler”. Lá morou e trabalhou, e era muito dedicado ao que fazia, pois com dedicação procurou aprender tudo que seu pai lhe ensinava, que quando começou a ensinar e a realizar milagres, ninguém acreditou nele, vejamos o Evangelho de Marcos capítulo 6, versículos 2 e 3: ” tendo saído dali, Jesus foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanhavam. Chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: de onde lhe vem tudo isso? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não vivem aqui entre nós?”
Sabe-se que na cultura em que Jesus viveu, os homens incentivavam os filhos a trabalhar duro, admoestando-os com a Escritura. A vida indisciplinada, ociosa e preguiçosa era desprezada pelos judeus praticantes naquele tempo. Afinal, para sobreviver, a família tinha de trabalhar com muito esforço. Ao descrever Jesus como “carpinteiro”, Marcos usou a palavra grega “tekton” — significa mais do que carpinteiro, artífice, artesão ou fabricante de móveis; refere-se, também, a um trabalhador do tipo construtor de estruturas ou casas de madeira. A família de Jesus era composta por pelo menos 9 pessoas como lemos acima no texto do evangelho de Maros. Logo, todos tinham de trabalhar duro para sustentar a família toda. Especialmente Jesus, filho mais velho, arrimo de família, que assumiu o lugar do pai tão logo José faleceu.
Trabalhando duro como carpinteiro foi que ele adquiriu força e estrutura para viver como viveu e sofrer como sofreu, em nada Jesus se parece com os desenhos que são apresentados nos calendários de hoje e nos quadros pintados pelos grandes mestres da pintura, e foi essa estrutura acrescida do tempo que andou em peregrinação por Israel, que conseguiu, inclusive, carregar a sua pesada cruz. Podemos imaginar essa cena no cotidiano de Jesus — o tratamento de José dispensado às filhas diante dos olhos de Jesus em sua adolescência e juventude. Jesus foi grandemente, positivamente abençoado e influenciado pelo seu pai, José. Jesus não viveu como um monge ermitão, ele foi agraciado e viveu na benção da família. Escolher viver longe dos laços familiares seria impensável para um judeu na época.
Durante os 18 anos de silêncio dos Evangelhos, dos 12 aos 30 anos, Jesus aprendeu a amar a criação de Deus e a ver a ação de Deus na criação e nas pequenas coisas. Ele cresceu na parte mais graciosa da Palestina. Ao redor do Mar da Galileia havia a Planície de Genesaré. Os judeus costumavam dizer que a palavra Genesaré significava Príncipe dos Jardins. Perto dali havia a cidade de Séforis, onde Jesus deve ter trabalhado produzindo muitos artefatos, conforme já vimos, era lugar onde os contemporâneos do Senhor diziam que “manava leite e mel”. Havia um ditado popular que dizia que era mais fácil cultivar uma legião de oliveiras na Galileia do que criar uma criança em outra parte qualquer da Palestina. Merril C. Tenney, estudioso da história e da geografia de Israel, lista algumas das árvores que cresciam na região onde Jesus cresceu: videira, oliveira, figueira, carvalho, palmeira, cedro, cipreste, bálsamo, pinho, sicômoro, murta, romã, loureiro, loureiro rosa etc. Flávio Josefo, historiador judeu que viveu nos primeiros anos após Jesus, dizia que “na Galileia cresciam no mesmo lugar árvores que noutra região seria impensável, como se a natureza estivesse fazendo violência a ela mesma”. Foi nessa terra de belezas incomparáveis que Jesus cresceu e viveu dos 12 aos 30 anos. Por que essas informações são tão importantes? Nesse ambiente, Jesus aprendeu muito. Como podemos observar as primeiras noções do que era ser e ter fé, Jesus aprendeu em casa. É nossa responsabilidade como pais ensinar aos nossos filhos a fé, mas para que possamos ensinar é necessário que pratiquemos a fé. Em Hebreus capítulo 11, versículos 1 e 6, mostram essa realidade: “ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam”.
Muitas perguntas surgem aqui, se Jesus foi batizado aos 8 dias segundo a Lei judaica, por que deveria novamente ser batizado? Este batismo foi para mostrar que o menino que ali estava era real, não um espírito, e para cumprir com a lei de Deus dada a Abraão. Que todo macho nascido deveria ser circuncidado, conforme Gênesis capítulo 17, versículos 9 a 13.
Agora neste segundo momento, quando João o Batista está batizando para remissão de pecados, sabemos que Jesus não tinha pecados a se arrepender, ele o faz para iniciar seu ministério terreno e cumprir com a vontade do Pai. Vejamos a resposta de Jesus no versículo 15: “mas Jesus respondeu: deixe por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça”. Convém a todo mensageiro do Senhor observar todas as suas justas ordenanças. Porque o significado específico das palavras do nosso Senhor parece ser “nos convém” (a mim receber o batismo e a você administrá-lo) a fim de cumprir, isto é, que possa realizar plenamente cada parte das justas leis de Deus, e a comissão que ele atribuiu a mim. A isto damos o nome de obediência.
Deixemos que o nosso Senhor, submetendo-se ao batismo, nos ensine a santa e exata observância daquelas instituições que nos competem como obrigação meramente por determinação divina. Certamente, isto é, o que compete a todos os seguidores para cumprir toda justiça. Jesus não tinha pecados a serem lavados. Ainda assim foi batizado. E Deus, tendo sido honrado em seu preceito, fez dessa a ocasião para derramar o Espírito Santo sobre ele. E onde mais poderíamos nós separar esta sagrada efusão, senão na humilde submissão às recomendações divinas? E completa o versículo “eis que os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus” Lucas em seu evangelho no capítulo 3, versículo 22, escreve: “em forma corpórea”.
Provavelmente, na aparência gloriosa do fogo, talvez na forma de uma pomba – descendo até pousar sobre ele, este foi um dos sinais visíveis daquelas operações secretas do bendito Espírito, pelas quais Jesus foi ungido de maneira peculiar, e perfeitamente capacitado para o seu ministério público. Para tanto logo após seu batismo por João, Jesus é levado ao deserto pelo mesmo Espírito para ser tentado. É aqui que temos o início do seu maravilhoso ministério. Shalom.