sábado, 27 de novembro de 2021
CRÔNICA

A brevidade da nossa vida

23/10/2021
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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista

Existe um fato que ninguém gosta de falar, a morte. Para alguns ela deve e precisa parecer distante, para outros que atingiram idade longeva ela deve e precisa parecer próxima. Parece um paradoxo, enquanto para alguns falar a respeito desse fato é algo terrível para outros ela já não parece tão mal assim.
O governo do nosso estado lançou a campanha maio amarelo de advertência contra os acidentes de trânsito. E, há alguns anos uma das propagandas veiculadas aparecia um ator vestido com as vestes que alguns supõe que seriam da morte, e avisa com voz fúnebre que se continuassem a ingerir bebidas alcoólicas ela estaria esperando na volta para casa. A propaganda para diversas pessoas foi considerada até certo ponto ofensiva, pois estimulava algo que elas não queriam analisar em seus contextos de vida. E pelo menos nos locais onde foi exibida atingiu seu objetivo, diminuiu o consumo de álcool naquela época.
Agora, desde o ano passado a propaganda focou na pandemia e no distanciamento social e nos profissionais que prestam serviços essenciais e que precisam estar diariamente nas ruas para garantir a saúde e segurança da população e o abastecimento do país durante este momento da doença.
Gosto de pensar que temos dois momentos fantásticos, o primeiro quando nascemos e o segundo é exatamente quando morremos, e entre esses dois momentos temos um terceiro que chamamos de vida, ou existência. E é aqui entre os dois momentos que desenvolvemos e preenchemos todos os cantos e fatos, e que deveria ser por consequência de momentos intensos de bom aproveitamento.
Se olharmos para o texto bíblico veremos que os escritores falam desse tempo de maneira clara e objetiva, e dentro dessa análise vou citar dois textos, o primeiro escrito por Jó, no capítulo 9, versículo 25: “os meus dias foram mais velozes do que um corredor, fugiram, e não viram a felicidade”. O segundo está na carta de Tiago, capítulo 4, versículos 13 a 15: “eia agora vós, que dizeis: hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo”.
Temos duas expressões que relatam muito bem o conhecimento da vida. Jó, que passou por momentos terríveis após ter perdido tudo inclusive a família, expõe que a vida passou tão rápido que agora em seu leito de doença não tinha mais alegria, e que somente esperava em Deus para consumar a morte. Que não havia conseguido, apesar de no princípio ter sido rico e poderoso, viver a intensidade da felicidade, pois estava preocupado com muitas coisas e interesses, é o que demonstra suas palavras.
Já Tiago, nos ensina de outra maneira, temos o costume de sempre dizer vou fazer isto ou aquilo, acreditamos que somos por demais importantes para nos importarmos com Deus. Afinal Ele está distante lá no céu, e nós aqui na terra com todos os dissabores que carregamos. Então precisamos descarregar toda nossa frustração em diversos copos de álcool, ou infelizmente em outras drogas que nos tiram a consciência. Às vezes usamos esse artifício para nos encorajar a tomarmos decisões, outras vezes para fugir por momentos dos problemas, esquecendo que o problema poderá tomar dimensões muito maiores devido a ingestão de álcool ou das drogas ilícitas.
O que Tiago nos ensina também é que devemos e podemos preencher os momentos da vida com alegria se tomarmos as decisões corretas, ou seja, primeiro submetermos todos os problemas e alegrias à Deus. Esse intervalo entre o nascimento e a morte poderia ser melhor preenchido se nos voltássemos a Deus, se buscássemos viver sob a orientação criteriosa d`Ele em todos os momentos. Apesar de viver muitos anos, a vida é na verdade um espaço muito pequeno entre os dois pontos, e por ser pequeno deveria ser aproveitado com intensidade e sem nenhum orgulho com pompa. É o momento em que com as nossas janelas abertas (olhos) contemplamos tudo ao redor, e com sabedoria pediríamos orientação de como melhor olhar e resolver tudo à nossa volta.
Terminando cito o Salmo 39, versículo 5 de autoria do rei Davi, que viveu intensamente a vida: “deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença o prazo da minha vida nada é. Na verdade todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade”. Pensemos nestas palavras de alguém que viveu sob a manifestação de Deus, e escreveu tão sábias palavras. Shalom.