segunda, 30 de novembro de 2020
HELVIL

Enchendo Lingüiça

20/11/2020
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Algumas coisas parecem fáceis, mas na verdade não o são e na maioria das vezes se faz um juízo de valor enganado sobre certas situações. Um estudante que não sabe a resposta para uma pergunta da prova e escreve linhas e mais linhas na tentativa de acertar não é um vagal. Está apenas exercitando a arte de encher lingüiça.
E esta é uma tarefa árdua e dificílima, pois são poucas as pessoas que têm habilidade suficiente para tirar a tripa de dentro do porco e depois colocar o porco dentro da tripa. Isso sem falar no tempero, uma outra arte, toda cheia de melindres. E alguns estudantes, além de encherem lingüiça nas provas, capricham no tempero e acabam conquistando nota melhor que se tivessem respondido certo.
Encher lingüiça também é a prova cabal de quem nem sempre é mais fácil enfiar do que tirar. No entanto, apesar de toda a dificuldade, Tonhão ainda não viu nenhum manual ensinando a encher lingüiça, em todos os sentidos da expressão. Deve ser porque por mais complicado que seja encher lingüiça, não é tão difícil quanto à explicação de um manual.
Assim, encher lingüiça não é enrolar, até mesmo por causa da forma alongada que a tripa toma quando cheia e sem estar pressionada, como ocorre dentro do porco. No caso, é a carne do porco, devidamente moída ou ralada, é que toma a forma da tripa, assim como os líquidos, que tomam a forma do corpo que os contém.
Neste caso é importante abrir um parêntesis para dizer que certos corpos femininos, já meio caídos, se ajustam à forma das calças jeans, criando a falsa impressão de um corpo sarado. Quando o corpo sai da calça, despenca. E colocar esse corpo dentro da calça, assim como encher lingüiça, é muito difícil.
Bem, se o leitor chegou até aqui e não está nem um pouco confuso é porque não está prestando muita atenção. Mas, segundo o Tonhão, isso não tem importância. O importante é saber que o que se pretendeu dizer desde o início é que as aparências enganam e aquilo que parece fácil na verdade é difícil, ou seja, encher lingüiça não é algo que se faça com apenas uma das mãos.
Ou você pensa que foi brincadeira chegar com esta crônica até o fim?

Helvil – Hélder Villela