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Se eu perguntar aqui o que é ser criança, acredito que todos responderão, porém de acordo com suas experiências, sejam elas de tristezas ou de alegrias. Somos hoje frutos de nossas vivências relacionais da infância, levamos para nossa vida adulta atitudes infantis viciadas.
Existem três fases históricas de “Ser Criança”. A primeira foi quando as crianças eram vistas como “Pequenos Adultos”, onde trabalhavam em fábricas e até mesmo na agricultura acompanhando seus pais e ajudando na renda familiar, contudo não tinham vez como crianças. As meninas se casavam após sua primeira menstruação, já constituindo uma família e repetindo a tradição da época.
A segunda fase não muito distante foi à época da “repressão”, onde o pai só precisava “olhar” e o filho já sabia o que fazer e se não fizesse o que os “olhos” mandavam já sabiam o que iria acontecer. Muitos filhos naquela época saiam de seus lares cedo para terem maiores oportunidades na vida, pensando em melhores condições para sua futura constituição familiar.
A terceira fase é nossa atual geração, que os pais tentam satisfazer todos os desejos e caprichos de seus filhos, dizendo que são crianças e que na sua época ele ou ela não teve “isso ou aquilo”. Entretanto não percebem que estão na verdade satisfazendo seus próprios desejos e fazendo com que seus filhos não tenham limites.
Quando damos tudo aos nossos filhos esquecemos que o mundo não dará tudo a ele, e também não irá poupá-lo de frustrações e nem de dores emocionais, como perdas e um “não”. Provavelmente quando essas crianças se tornarem adultos não terão iniciativa e irão ser dependentes de alguém para viver, seja por seu parceiro(a), amigos ou sócios.
Os filhos precisam ter o poder interior da realização, fazendo com que confiem em si enquanto ser humano e não como possuidor de “algo”. Esse possuir “algo” é quando os filhos para serem felizes precisam ter aquele tênis de marca “x” ou aquela boneca da marca “y”.
Quando damos um presente para nossos filhos devemos dar-lhe o presente que ele pode absorver (idade da criança; se ela merece ou não naquele momento; se esta usando de chantagem; etc.) e não os que os pais podem dar, senão a criança muda o foco, não tendo mais prazer em curtir o que ganhou e sim na importância de ganhar presentes. Um exemplo é no aniversário, este é feito para darmos importância e valorizarmos a vida e não somente para ganhar presentes.
As crianças de hoje não sabem mais pedir para os pais aquilo que querem, elas utilizam de chantagem, extorquem seus pais, mostrando por fim quem manda na “casa”. Essa forma de chantagem é muito bem visualizada no mercado, onde a criança pede algo e os pais não podem dar ou não querem dar, e então ela se joga no chão, chora, berra, bate e os pais com vergonha acabam dando, ou seja, a criança já sabe como fazer para ter o que quer. O pior acontece quando os pais para não passar essa “vergonha” não levam mais seus filhos no mercado, deixando então de educá-los frente a seus desejos e impulsos.
Quando crescemos não somos educados a sermos pais, tiramos como modelos nossos pais ou aqueles com que tivemos maiores contatos, avôs, tios, etc., entretanto essa visão é de um filho, ou seja, continuamos no papel de filho, colocando em nossos próprios filhos nossos desejos e angústias. Criar os filhos não é desejar por eles e sim fazer com que eles desejem por si.
Camila Lemes Alves
Psicóloga Clínica e Organizacional
Hipnose Clínica
CRP 08/12747
(44) 999706876
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