terça, 21 de janeiro de 2020
CRÔNICA

O que é ser mordomo

09/12/2019
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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista

Estamos chegando ao final da campanha deste ano da Maratona de Oração, cujo tema foi: Vivendo o Reino: Cuidando do Meio Ambiente. Mas há uma pergunta, ou melhor duas, a primeira o que é na prática o Vivendo o Reino, como poderíamos explicar essa frase.
Viver o Reino, quer dizer, viver segundo as expectativas de Deus, dentro de seu contexto de obediência e observância de seus mandamentos. Hoje, creio que de certa forma as Igrejas quase não falam mais do pecado, parece que falar dessa má ação do homem tornou-se proibitiva, hoje as pregações são quase todas de auto ajuda, os próprios hinos cantados e gravados por diversos artistas, sim artistas pois lhes faltam o carisma de levitas, aqueles que antigamente louvavam e adoravam ao Senhor de modo espontâneo e com musicas e letras cheias de verdades e propícias para a conversão de vidas. Hoje seus shows são iguais a qualquer artista secular, e seus preços idem. São shows, não momentos de louvor e adoração. Hoje qualquer sacerdote seja católico ou evangélico, mais parece com um artista e apresentador, esquecendo-se de seu compromisso com o Reino de Deus. São astros da música ou da pregação. Não são mordomos da obra divina, mas mordomos ou senhores de si mesmos.
A segunda pergunta o que é Cuidar do Meio Ambiente, seria cuidar da propriedade de Deus que nos foi deixada para zelar e devolver ao seu legítimo dono. E o que estamos fazendo? Exatamente o contrário, destruindo todas as formas de vida que nos foram deixadas como alimento, simplesmente as matamos. Destruímos todas as fontes, rios e mares com o nosso lixo, que propositalmente os jogamos em seus leitos. As fontes, desmatamos e não cuidamos para que haja renovação da água. E até pouco tempo atrás tirávamos e infelizmente em alguns lugares ainda se tira toda vegetação até a margem do rio, e com isso fazemos o assoreamento dos rios. Em outros lugares construímos barragens para resíduos tóxicos, de baixo custo, pois o lucro é nosso maior e mais importante resultado. Que se dane as vidas e ou os rios que estão abaixo. Vide Mariana e Brumadinho, cujos rios foram de tal maneira impactados pelos dejetos que levarão muitos anos até retornarem à condição de potável e de vida aquática. Os mares estão cheios de nossos lixos plásticos, peixes morrem pela ingestão de micropartículas de plástico.
Queimamos nossas florestas para obter lucro com as terras, e não cuidamos das terras já devastadas para seu melhor aproveitamento. Precisamos sempre desmatar, não importa o custo de vidas, mas importa o lucro que se terá.
Alguns pseudos ambientalistas de propaganda, acusam as queimadas, mas quando ocorrem desastres como esse de petróleo derramado na costa brasileira, silenciam, parece que nada aconteceu. Nenhum desses ambientalistas fala do problema que vem acontecendo na África, onde milhares de pessoas passam fome, ou tem suas propriedades queimadas e são forçadas a migrarem para outros lugares, e muitas vezes morrem no mar devido suas frágeis embarcações não aguentarem o peso ou a força das ondas. Também silenciam os milhares recolhidos em campos de concentração, hoje com o pomposo nome de campo de refugiados. O mundo está convulsionado, não cuidamos da nossa própria sobrevivência, e ficamos a olhar para o Universo à procura de um outro planeta que possamos também destruir com nossa sede de lucro fácil.
No Evangelho de Lucas capítulo 16, versículos 1 a 8, encontramos a Parábola do mordomo infiel, que nos apresenta um proprietário rico, que sabendo que o administrador de sua propriedade estava sendo desonesto na condução do trabalho, então o chama e o despede. O mordomo ou o administrador, que no grego é a palavra oikonomo, tinha sob sua direção toda autoridade para executar os negócios da propriedade. Ele chama então os devedores que eram os arrendatários das terras, e que pagavam uma certa quantia fixa pelo aluguel e que era acertada com ele, o mordomo. A esses devedores ele para garantir que tivesse algum lugar após deixar a propriedade, negocia seus valores mandando-os rebaixá-los nessa esperança. O proprietário até o elogia pela ação, mas Jesus tem uma resposta muito mais interessante nesse caso, nos versículos seguintes diz o seguinte: começando pelo versículo 9: “e eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam em suas moradas”. E nos versículos 10 e 11 termina: “quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta; quem vos confiará a verdadeira riqueza?”
Em outras palavras, precisamos saber ser oikonomos aqui na terra com as coisas do nosso Deus, para termos confiança nos céus para as verdadeiras riquezas que estarão à nossa disposição. Poderíamos assim simplesmente terminar esta palavra, mas para completar vamos dizer que somos mordomos de toda a obra que nos é dada a cuidar. Somos mordomos sobre nossas casas, esposas., maridos, filhos e filhas, trabalho, propriedades, até quando alugamos uma casa para morarmos. Em todo tempo somos mordomos na obra do Senhor, então é dever nosso cuidar bem de todas as coisas para que possamos devolver como a recebemos, sem tentar corromper ou subornar a Deus. Precisamos voltar a cuidar da terra onde habitamos, porque dela dependemos e precisamos. Não adianta ficar olhando para o espaço na tentativa de encontrar um outro lugar onde possamos levar toda imprudência que aqui fizemos e queremos deixar. Deus cobrará nossa mordomia sobre sua propriedade, e como a devolveremos, é hora de agir e mudar de atitudes. Shalon.