OS DOIS CARROS SAÍRAM PARA O MESMO LADO - ENTENDA
O laudo de necropsia do menino espancado em Viamão, no Rio Grande do Sul, após se recusar a dar “bom dia” ao pai confirmou que a morte foi causada por trauma na cabeça. O documento foi encaminhado à Polícia Civil nesta semana.
Segundo o laudo, a criança sofreu lesão crânio-encefálica, o que reforça a principal hipótese levantada com base nos depoimentos dos médicos que atenderam o garoto. Os pais, Dandre Grayson e Mayanna Rodgers, permanecem presos.
O inquérito que apura a morte foi prorrogado por mais dez dias, já que o prazo inicial terminaria nesta semana. Laudos já concluídos comprovam que ao menos dois irmãos também apresentavam marcas de violência e cicatrizes no corpo. As agressões teriam ocorrido ao longo de oito anos.
A Polícia Civil investiga, em inquérito separado, possível violência doméstica sofrida pela mãe. O procedimento apura se Mayanna foi vítima de agressões físicas e psicológicas praticadas pelo marido, o missionário D’Andre Jermaine Grayson. A intenção da polícia é encaminhar os dois inquéritos ao Poder Judiciário de forma simultânea.
Antes de ser presa por suspeita de omissão, uma medida protetiva chegou a ser solicitada em nome da mulher. A família, que veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos, vivia em situação de vulnerabilidade em Viamão e dependia de doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.
O corpo do menino demorou a ser reconhecido e liberado. A criança morreu em 8 de julho, depois de ter sido agredida no domingo anterior, 5 de julho. O velório atrasou porque o Departamento Médico Legal (DML) identificou o corpo por papiloscopia – método que utiliza impressões digitais, palmares ou plantares –, mas ainda era necessário que algum familiar autorizasse a liberação.
A Justiça determinou que o corpo fosse entregue à prefeitura, uma vez que os pais estão presos. Até o momento, 11 pessoas já foram ouvidas na investigação. (Julio Chagas).
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