CONHECE ALGÉM DESAPARECIDO?
A Polícia Federal concluiu o inquérito que apura as responsabilidades criminais e civis pela queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. Entre as vítimas estava o casal de Moreira Sales, Hiales e Daniele Fodra .
Os detalhes da investigação serão apresentados nesta quinta-feira (6), durante uma coletiva de imprensa marcada para três dias antes de o acidente completar um ano.
Segundo a investigação, a aeronave decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo, responsável por impedir o acúmulo de gelo nas asas. O inquérito também aponta possíveis responsabilidades de pessoas ligadas à manutenção, à liberação do avião para operar e à cultura operacional da empresa.
Os detalhes do inquérito que foram revelados antecipadamente mostram que cerca de cinco minutos antes da perda de controle da aeronave, o comandante fez uma brincadeira ao ouvir mais um alerta de formação de gelo. Na sequência, a tripulação identificou uma falha no sistema pneumático de degelo, equipamento essencial para a segurança do voo em condições climáticas adversas.
O inquérito da PF apura responsabilidades criminais e civis. A investigação é independente do relatório divulgado pelo Cenipa, que busca identificar os fatores contribuintes do acidente para prevenir novas ocorrências.
CONVERSAS - A investigação também revela detalhes das conversas registradas na cabine do ATR-72 momentos antes da queda. Os diálogos mostram que a tripulação já havia identificado falhas no sistema de degelo, comentava sobre o acúmulo de gelo na aeronave e chegou a discutir alternativas para evitar as condições climáticas adversas. Em um dos trechos, o comandante faz uma brincadeira ao comparar o avião ao personagem "Herbie", enquanto os alertas de falha continuavam sendo emitidos.
Um voo antes do acidente, entre Guarulhos e Cascavel, o comandante falava sobre o gelo acumulado na aeronave.
CONVERSA 1
No trecho entre Guarulhos e Cascavel, o comandante comentou sobre o gelo acumulado na aeronave:
Piloto: "Olha o gelo... o gelo foi embora agora, finalmente. Escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou."
Após o pouso, demonstrou alívio:
Copiloto: "Muito bom, comandante."
Piloto: "Chegamos vivos."
.
Poucos minutos depois, a mesma aeronave decolou novamente para o voo 2283. Agora os comentários durante o trajeto que matou as 62 pessoas.
ALERTA DE FALHA LOGO APÓS A DECOLAGEM
Ainda na subida, o sistema registrou uma falha no equipamento responsável por remover o gelo das asas.
Piloto: "É o Airframe que deu fault... pode tirar, pode tirar... pelo menos a gente já sabe que tá..."
Segundo a Polícia Federal, o alerta AIRFRAME FAULT indicava falha no sistema pneumático de degelo. Nessa situação, o fabricante determinava que a aeronave deixasse imediatamente a região de formação de gelo, procedimento que, conforme a investigação, não foi adotado.
"Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie"
Enquanto os alertas continuavam aparecendo, o copiloto sugeriu mudar a altitude para evitar o gelo.
Copiloto: "Pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?"
Em seguida, o comandante respondeu em tom de brincadeira:
Piloto: "Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie... Herbie, filme bem antigo."
De acordo com a PF, o pedido de descida para um nível de voo mais baixo nunca foi feito ao controle de tráfego aéreo.
CONVERSA 3
"Bastante gelo"
Já próximo de São Paulo, a situação se agravou.
Copiloto: "Bastante gelo."
Ao tentar novamente acionar o sistema de degelo:
Copiloto: "Ligar o airframe."
O comandante respondeu:
Piloto: "Essa bosta não tá funcionando, né?"
Copiloto: "É."
Segundo a investigação, havia cerca de 20 segundos entre o alerta "Increase Speed" e o início do parafuso, intervalo em que, de acordo com a perícia, ainda existia possibilidade de intervenção da tripulação. Pouco depois, a aeronave entrou em estol, perdeu sustentação e caiu em Vinhedo (SP). Catve).
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