VOLTANDO DO VELÓRIO DO AVÔ
Em meio a um enredo macabro, prints de conversas obtidos pela coluna mostram que o cabo da Polícia Militar de Pernambuco, José Maria Alexandre da Silva Junior, de 40 anos, enviou ameaças e mensagens de ciúmes à ex-companheira, Helen Kelly de Lima Pedrosa, 48, meses antes de morrer dentro do apartamento dela, em Boa Viagem, na zona sul do Recife.
TROCA DE TAÇAS E MORTE - Segundo os relatos colhidos pela investigação, José Maria foi ao apartamento de Helen após deixar o trabalho. Ele teria pedido autorização para entrar no condomínio, já que estava proibido de frequentar o imóvel em razão da medida protetiva.
A entrada foi autorizada pela ex-companheira. Durante a madrugada e parte da manhã, os dois consumiram bebidas alcoólicas e energético.
Foi nesse momento que ocorreu um dos episódios mais intrigantes do caso. Segundo o advogado da mulher, ela utilizava taças identificadas porque alugava quartos do apartamento para outras pessoas.
“Os copos dela são todos marcados. Ela pegou uma taça para ela e outra para ele. Em determinado momento ele pediu que ela fosse buscar gelo. Quando voltou, ela percebeu que a taça dela não estava mais onde havia deixado e que parecia ter sido trocada”, afirmou Yuri Bold.
Ainda segundo o advogado, a mulher ficou desconfiada. Pouco depois, o policial teria ido até a varanda para guardar o coturno utilizado durante o serviço. Aproveitando a ausência dele, ela teria recolocado cada taça em sua posição original.
“Ela trocou novamente as taças porque ficou desconfiada com o que tinha visto”, disse o defensor. Horas depois, o militar começou a passar mal.
Segundo os relatos, ele apresentava espuma na boca e os lábios arroxeados. Equipes da Polícia Militar foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local.
As taças utilizadas pelo casal e amostras das bebidas consumidas foram apreendidas e encaminhadas para perícia. Os exames toxicológicos deverão apontar se houve intoxicação e qual substância pode ter provocado a morte.
AMEAÇAS DE MORTE – antes desse enredo macabro, o policial fez ameaças à namorada advogada. “Eu sei que você anda só. Coisa boa pode não acontecer. Deixa as coisas acontecerem. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Você já está avisada. Tire as medidas na moral. Encontro você no inferno, mas encontro”, escreveu o policial em uma das mensagens.
“Tu tá bem falando com o seu amigo. Antes de você desligar eu perguntei se você ia dormir ou esperar eu tomar banho para te ligar de novo e você disse que ia dormir. Fala a verdade. Você está de conversinha com ele de novo. Já falei que você é minha e de mais ninguém para sempre”, diz a mensagem.
O material inclui ainda o depoimento prestado pela mulher à polícia e declarações de seu advogado, Yuri Bold. Segundo ele, o relacionamento era marcado por comportamento possessivo e tentativas constantes de controle.
“Era um relacionamento coberto de ciúmes. Ele tentava sempre ter acesso ao celular dela, não deixava que ela conversasse com outros homens. A medida protetiva surgiu justamente após uma agressão praticada por ele no final de fevereiro”, afirmou.
De acordo com o relato da mulher à polícia, a medida protetiva foi concedida no início de março após episódios de ciúmes excessivos que resultaram em agressão física.
“A partir daí, ambos se afastaram. Mas começou uma perseguição por parte dele para conseguir voltar a falar com ela, utilizando amigos em comum e até familiares”, relatou.
Segundo a versão dela, o militar passou a descumprir a medida protetiva e, aos poucos, retomou contato com a ex-companheira. Os encontros voltaram a acontecer e ele chegou a passar alguns dias da semana no apartamento dela.
De acordo com o advogado, além de insistir para que a medida judicial fosse retirada, o militar insistia em propostas de casamento e união estável. (Jornal do Povo Marília).
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TRÊS DIAS DEPOIS
VÁRIAS FACADAS – ESTADO GRAVE
REGIÃO DE UMUARAMA