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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista
Na pequena cidade, o sino da igreja tocava ao amanhecer, lembrando a todos que o tempo não era apenas feito de horas, mas de eternidade. Dona Clara, sentada na varanda, observava o sol nascer e pensava no mistério que sempre a acompanhara: o poder da Santíssima Trindade. Não era apenas uma doutrina aprendida nos bancos da igreja que ela frequentava, mas uma presença viva que moldava seus dias.
O Pai, para ela, era o sopro da criação. Quando regava suas plantas, sentia que cada folha verde era um reflexo da mão divina que dá origem à vida. O Pai era o alicerce, a raiz que sustentava o tronco da existência. Nos momentos de dificuldade, quando a seca castigava a terra ou quando o coração se apertava de saudade, era ao Pai que ela recorria, pedindo força para continuar. Ele era o arquiteto invisível que desenhava cada detalhe da sua história.
O Filho, por sua vez, era o companheiro de caminhada. Clara lembrava-se de quando perdeu o marido e, na solidão, encontrou consolo ao olhar para a cruz pendurada na parede do altar da igreja. O Cristo que se fez homem, que chorou, que sofreu, que amou até o fim, era para ela a certeza de que não estava só. Ele conhecia suas dores, suas alegrias, suas esperanças. O Filho era o irmão que se sentava ao seu lado nos dias de silêncio, que lhe ensinava a perdoar quando o orgulho queria falar mais alto, que lhe mostrava que o amor é sempre maior que a ferida.
E o Espírito Santo? Ah, esse era o vento suave que atravessava a varanda nas tardes de verão. Clara sentia sua presença nas pequenas inspirações que surgiam sem aviso: a coragem de visitar uma vizinha doente, a palavra certa dita a um neto aflito, a paz que brotava mesmo quando tudo parecia desmoronar. O Espírito era o fogo que não queimava, mas iluminava; era a brisa que não se via, mas se sentia. Ele era o sopro que transformava o ordinário em extraordinário.
Na vida de Clara, a Trindade não era um conceito distante, mas uma realidade concreta. O Pai lhe dava origem, o Filho lhe dava companhia, o Espírito lhe dava movimento. Juntos, eram como três notas que formavam uma única melodia, harmoniosa e eterna. E ela, simples mulher do interior, era parte dessa sinfonia.
Certa vez, seu neto lhe perguntou: “Vó, como três podem ser um só?” Clara sorriu e apontou para o céu. “Veja o sol”, disse. “Ele é luz, calor e energia. Três formas, mas um mesmo sol. Assim é a Santíssima Trindade: três pessoas, mas um só Deus.” O menino ficou pensativo, e Clara percebeu que, naquele instante, o Espírito soprava sabedoria através dela.
Os dias seguiam, e cada gesto de Clara era marcado por essa consciência. Ao preparar o pão, lembrava-se do Filho que se fez alimento. Ao cuidar da terra, reconhecia o Pai que a criou. Ao rezar em silêncio, sentia o Espírito que intercedia por ela com gemidos inefáveis. A Trindade era o fio invisível que costurava sua rotina, transformando o comum em sagrado.
No entardecer, quando o sino tocava novamente, Clara fechava os olhos e agradecia. Sabia que sua vida não era perfeita, que havia dores e faltas, mas também sabia que estava envolvida por um amor que não se dividia, mas se multiplicava. O poder da Santíssima Trindade não estava em milagres espetaculares, mas na constância silenciosa que a sustentava dia após dia.
E assim, naquela cidade pequena, entre o nascer e o pôr do sol, Clara vivia sua fé como uma crônica viva: o Pai que a criava, o Filho que a acompanhava, o Espírito que a inspirava. Três em um, eternamente presentes, eternamente poderosos, eternamente amor. Shalom.
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TRAGÉDIA NA PRAINHA
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