FORTALECE PARANÁ
Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista
O Dia das Mulheres sempre chega como um lembrete suave — ou às vezes urgente — de que a força feminina não começou com movimentos sociais, nem com leis, nem com discursos. Começou muito antes. Começou quando Deus, no silêncio do Éden, decidiu que não era bom que o homem estivesse só. E então Ele criou a mulher, não como cópia, não como sombra, mas como auxiliadora idônea, expressão que, no hebraico, carrega o mesmo peso usado para o próprio Deus quando Ele socorre o Seu povo.
Talvez por isso, quando caminho pela rua no dia 8 de março, observo as mulheres ao redor com um olhar diferente. A moça que equilibra o filho no colo enquanto paga as contas; a idosa que caminha devagar, mas com a dignidade de quem já enfrentou batalhas que ninguém viu; a jovem que sonha alto, mesmo quando o mundo tenta diminui-la. Todas elas carregam, de algum modo, o eco daquela primeira respiração divina.
A Bíblia nunca tratou a mulher como detalhe. Pelo contrário, Deus sempre fez questão de colocá-la no centro de histórias decisivas. Ester, por exemplo, que arriscou a própria vida para salvar um povo inteiro. Débora, que liderou Israel quando ninguém mais teve coragem. Maria, que disse “sim” ao impossível. E tantas outras que, mesmo sem nome registrado, deixaram marcas eternas.
Mas o que me chama atenção não é apenas o que elas fizeram, e sim como fizeram. Com coragem, mas também com ternura. Com firmeza, mas sem perder a sensibilidade. Com fé, mesmo quando tudo parecia contrário. Talvez seja isso que torna a mulher tão singular: ela carrega uma força que não precisa gritar para ser percebida.
No cotidiano, essa força aparece nos detalhes. Na mãe que ora pelos filhos enquanto todos dormem. Na esposa que sustenta o lar com palavras de sabedoria. Na trabalhadora que enfrenta jornadas duplas — às vezes triplas — sem perder a esperança. Na estudante que luta por um futuro melhor. Na mulher que, mesmo ferida, encontra em Deus o bálsamo para continuar.
E é curioso como Jesus tratava as mulheres. Em uma época em que elas eram invisíveis, Ele as via. Em um tempo em que eram silenciadas, Ele as ouvia. Em uma cultura que as descartava, Ele as honrava. Foi a uma mulher que Ele revelou ser o Messias. Foi a mulheres que Ele apareceu primeiro após a ressurreição. Foi de uma mulher que Ele recebeu o perfume mais precioso, derramado não por obrigação, mas por amor.
Talvez por isso o Dia das Mulheres não devesse ser apenas comemorado, mas contemplado. Porque celebrar a mulher é reconhecer que Deus colocou nela algo do Seu próprio caráter: a capacidade de gerar vida, de restaurar, de acolher, de transformar.
E, no entanto, muitas vezes elas caminham carregando pesos que não deveriam carregar. A cobrança de ser perfeita. A expectativa de dar conta de tudo. A culpa por não conseguir. A dor de não ser valorizada. A Bíblia também fala sobre isso quando Deus declara: “Eu te tomo pela tua mão direita e te digo: não temas, eu te ajudo.” A mulher nunca foi chamada para ser sobrecarregada, mas para ser sustentada.
No fim das contas, o Dia das Mulheres é um convite. Um convite para olhar para elas com mais respeito, mais cuidado, mais gratidão. Um convite para lembrar que cada mulher é obra-prima de Deus, criada com propósito, moldada com carinho e fortalecida pela graça.
E talvez o maior presente que possamos oferecer a elas — além das flores, dos parabéns e das homenagens — seja reconhecer o valor que Deus já lhes deu desde o princípio. Porque quando Deus soprou vida sobre a mulher, Ele não criou apenas alguém para acompanhar o homem. Criou alguém capaz de refletir Sua glória de um jeito único.
E isso, sim, merece ser celebrado todos os dias. Shalom.
FORTALECE PARANÁ
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