ABERTO ATÉ AS 17 HORAS NESTE SÁBADO
Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista
O Salmo 15 é um dos textos mais breves e, ao mesmo tempo, mais profundos da literatura bíblica. Em apenas cinco versículos, o salmista Davi condensa uma reflexão que atravessa séculos: quem pode habitar no santuário de Deus? Quem é digno de permanecer em Sua presença? A pergunta inicial abre espaço para uma resposta que não se limita a rituais religiosos, mas mergulha na ética cotidiana, na postura diante do próximo e na integridade pessoal.
O texto começa com uma indagação quase existencial: “Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?”. Não se trata de uma curiosidade teórica, mas de uma busca prática. O tabernáculo, símbolo da presença divina, não é apenas um espaço físico; é metáfora da comunhão com Deus. Habitar ali significa viver em sintonia com o sagrado, experimentar a paz que nasce da proximidade com o Criador.
A resposta do salmo é direta e incisiva: aquele que anda em integridade, pratica a justiça e fala a verdade de coração. Aqui, Davi desloca o foco da religião exterior para a vida interior. Não basta frequentar o templo ou oferecer sacrifícios; é preciso viver de modo coerente, com retidão e sinceridade. A integridade não é perfeição, mas unidade: ser o mesmo por dentro e por fora, não usar máscaras.
O salmo prossegue descrevendo atitudes concretas: não difamar com a língua, não fazer mal ao próximo, não lançar injúria contra o vizinho. É impressionante como a espiritualidade bíblica se entrelaça com a ética social. A comunhão com Deus não pode ser separada do respeito ao outro. O verdadeiro adorador é aquele que refreia a língua, que não espalha calúnias, que não fere com palavras ou ações. Em tempos de discursos inflamados e redes sociais repletas de ataques, o Salmo 15 soa como um chamado urgente à responsabilidade no falar e no agir.
Outro ponto marcante é o contraste entre valores: o justo despreza o vil, mas honra os que temem ao Senhor. Ou seja, não se deixa seduzir por quem vive de forma corrupta, ainda que tenha poder ou influência. O critério de admiração não é o sucesso aparente, mas a reverência a Deus. Essa inversão de valores é revolucionária: em vez de exaltar os poderosos, o salmista convida a reconhecer a grandeza dos humildes que caminham em temor e fé.
O texto também destaca a fidelidade à palavra dada: “aquele que jura com dano próprio e não se retrata”. Em outras palavras, quem mantém seus compromissos mesmo quando isso lhe custa. A ética bíblica valoriza a firmeza de caráter, a capacidade de sustentar promessas sem se deixar levar por conveniências. Num mundo em que contratos são quebrados e compromissos facilmente esquecidos, essa postura é rara e preciosa.
Por fim, o salmo menciona a relação com o dinheiro: não empresta com usura, não aceita suborno contra o inocente. A espiritualidade autêntica se revela também na forma como lidamos com bens materiais. O justo não explora o necessitado, não se deixa corromper por vantagens financeiras. A fé, aqui, se traduz em justiça econômica e em solidariedade.
O fechamento do salmo é uma promessa: “Quem assim procede nunca será abalado”. Não é uma garantia de ausência de problemas, mas de firmeza diante das adversidades. A vida íntegra constrói alicerces sólidos, que resistem às tempestades. O justo pode enfrentar dificuldades, mas permanece de pé, sustentado pela comunhão com Deus.
Em forma de crônica, o Salmo 15 nos convida a olhar para o cotidiano e perceber que a verdadeira espiritualidade não se mede por discursos ou aparências, mas por gestos concretos de justiça, verdade e amor. Ele nos lembra que habitar no tabernáculo divino é mais do que participar de ritos religiosos: é viver cada dia com consciência, responsabilidade e compaixão.
Assim, este pequeno salmo se torna um espelho diante do qual cada um é chamado a se examinar. Somos íntegros? Falamos a verdade de coração? Honramos os que temem ao Senhor? Cumprimos nossas promessas mesmo quando nos custam? Rejeitamos a corrupção e a exploração?
Responder a essas perguntas é mais do que interpretar um texto antigo; é permitir que ele nos transforme. O Salmo 15 não é apenas poesia, é um guia de vida. Ele nos desafia a unir fé e prática, devoção e ética, espiritualidade e humanidade. E, ao final, nos assegura: quem trilha esse caminho permanece firme, inabalável, sustentado pela presença do Deus que habita no santo monte.
Este Salmo 15 provavelmente foi escrito por Davi no contexto da transferência da Arca da Aliança para Jerusalém, quando ele estabeleceu o Monte Sião como centro religioso de Israel. Muitos estudiosos relacionam esse salmo ao episódio narrado em 2 Samuel 6, em que Davi leva a Arca para o tabernáculo em Sião, pois o texto reflete a pergunta sobre quem é digno de habitar na presença de Deus. É hora de respondermos com sinceridade as perguntas acima, e ver se estamos agindo como cristãos autênticos ou só frequentadores de igreja. Shalom.
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