sexta-feira, 20 de setembro de 2024
CRÔNICA

A necessidade do nada

21/07/2023
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Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista

Estamos em pleno período de férias escolares, quando muitas famílias decidem que é hora de viajarem para aproveitar os dias ensolarados e descansarem das tarefas diárias. Realmente o momento é propício, descanso, muitos vão para a praia, outros para as montanhas, alguns aproveitam e vão para lugares onde há neve.

Mas uma coisa em comum, que é realmente muito comum, são as malas que levamos. Acreditamos que ao viajar precisamos levar 3 ou até 4 malas, para estarmos preparados para todas as ocasiões. Então enchemos nossas malas com roupas de verão, inverno, festa, dia a dia, ocasional, sapatos variados e sempre acreditamos que estamos esquecendo de algo que nos fará falta.

Infelizmente também usamos do mesmo expediente em nossa vida espiritual, acreditamos que precisamos levar muitas coisas desnecessárias, temos o medo de diminuir o tamanho da mala e não estarmos preparados para alguma ocasião.

No texto do evangelista Lucas capítulo 10, versículo 4 Jesus nos fala da obrigatoriedade de deixarmos de levar bolsas e alforjes, de andarmos somente pela presença e pela fé n’Ele, sem nos preocuparmos com os excedentes da vida, vejamos o texto: “⁴ Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho”.

Jesus também nos informa que devemos deixar de saudar pelo caminho, pois naquela época as saudações poderiam demorar dias, tinha todo um ritual que deveria ser obedecido, e com certeza atrasaria a proclamação da palavra.

Interessante que ainda hoje paramos para saudar, e nos desviamos da proclamação da vida. Hoje nossas saudações creio são mais demoradas, pois sempre nos esquecemos do que estávamos para fazer, e não levamos as palavras do Reino ao mundo.

Levamos um peso morto junto durante muitos anos, são as malas que nunca iremos usar. Quando vamos a praia, é comum enchermos as malas de roupa e quando temos crianças então as malas vão abarrotadas e voltam do mesmo jeito que foram, somente fizeram peso, e encheram o porta-malas do carro, ou dificultaram nossa caminhada nas rodoviárias.

Nossa vida espiritual infelizmente também está abarrotada de coisas que já deveríamos ter deixado pelo caminho, mas por medo continuamos a carregá-las indefinidamente. Essas malas contêm nossos medos, frustrações, mágoas, amarguras, que ao aceitarmos a Cristo já deveríamos ter deixado de lado, mas por motivos que não compreendemos continuamos a carregá-los.

Jesus diz aos apóstolos nada leveis para que a viagem fosse mais fácil e agradável de ser feita, como também não saudemos ninguém que possa nos desviar da caminhada.

O saudar aqui, é o pararmos para os antigos companheiros de jornada, que normalmente estão nos esperando para nos atrasar ou nos afastar do caminho. São os cheiros dos antigos vícios que se mostram cada vez mais agradáveis e perfumados e nos tiram da caminhada.

É aqui que Tiago nos ensina uma importante palavra, no capítulo 1, versículo 22,23: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural”. Fazendo uma abertura poética, digo, em vez de contemplar o seu rosto natural, mudando para: carregando tantas malas sem necessidade que nos atrasam o passo em direção à Jesus.

Remir o tempo, ou seja, nos preocuparmos em testemunhar a verdade através de ações práticas, e não somente de palavras. Esse é o conselho de Jesus. Vamos ver quais as malas que devemos e podemos dispensar para caminharmos mais rápidos em direção ao Senhor, e podermos proclamar Sua palavra através de ações concretas em nossa vida. Shalom.